Serviços para pagamento de publicidade no marketing moderno: Facebook, Google e TikTok

Alana Santos
Escrito por Alana Santos
21 min

Se olharmos para o pagamento pelos olhos da plataforma de anúncios, o banco como marca quase não participa da tomada de decisão. Dentro dos sistemas de Ads, o cartão não é classificado pelo nome do emissor, mas pelo tipo de obrigação que ele cria. No Brasil isso é especialmente visível devido à especificidade do sistema bancário local.

Payment trust como função do funding model, e não do brand equity do banco

Nos sistemas antifraude da Meta, Google e TikTok, o instrumento de pagamento é descrito por um conjunto de parâmetros.

Os principais são:

  • exposição financeira máxima
  • janela temporal de risco
  • probabilidade de disputa pós-fato
  • previsibilidade de recusas

Um cartão pre funded vinculado a uma carteira cria uma capped exposure. A perda máxima é igual ao saldo atual. No momento da autorização, o risco é encerrado. Para o modelo de Expected Loss, isso significa um valor fixo sem cauda temporal.

Um cartão de crédito no Brasil cria uma open ended exposure. Mesmo com um limite conhecido, a obrigação pode variar devido a cheque especial, parcelamentos e regras bancárias locais. Para o antifraude, isso significa que o mesmo pagamento pode ter riscos diferentes em momentos distintos.

Os modelos internos calculam o Expected Loss como a probabilidade de default multiplicada pela perda potencial. No modelo pre funded, a perda potencial é rigidamente limitada. No modelo credit linked, ela é variável. É isso, e não o nome do banco, que influencia o trust score.

Paradoxo BR: virtual > Tier 1 credit

A prática de trabalho com contas de Ads no Brasil mostra um padrão característico. Cartões de crédito de grandes bancos frequentemente começam a gerar soft declines ao atingir limites internos. Isso não ocorre de forma instantânea, mas em séries.

Cenário típico:

  • a campanha cresce
  • o spend atinge um patamar
  • aparecem de 3 a 7 recusas em 10 a 30 minutos
  • depois os pagamentos voltam a passar

Para o antifraude de Ads, isso parece um cluster de recusas. Mesmo que o decline rate geral permaneça dentro de 2 a 3 por cento, a clusterização no tempo aumenta bruscamente o risco comportamental.

Um cartão pre funded se comporta de outra forma. Enquanto há saldo, os pagamentos passam. Quando o saldo se esgota, ocorre uma única recusa, após a qual as transações cessam. Do ponto de vista do modelo de scoring, isso é um evento isolado, e não um padrão. Como resultado, o Payment Reliability Score de um cartão virtual sem linha de crédito frequentemente acaba sendo mais alto do que o de um cartão de um banco Tier 1.

Por meio de quais serviços os anunciantes pagaram publicidade no Brasil em 2025

1. PSTNET

Em 2025, a PSTNET se consolidou como uma das ferramentas mais universais para pagamento de publicidade, inclusive no trabalho com contas brasileiras. A plataforma foi projetada desde o início para media buying, por isso a lógica do serviço não gira em torno de “cartões em geral”, mas de tarefas publicitárias específicas. O usuário escolhe cartões para Google Ads, Facebook, TikTok ou opta por cartões para anúncios. Isso reduz o risco de recusas e economiza tempo em testes.

Para pagamento de publicidade, a PSTNET é especialmente conveniente graças a cartões separados com BINs adequados e 3D Secure obrigatório. O pagamento é confirmado corretamente, sem verificações manuais ou cobranças repetidas. Em grandes estruturas, é fácil gerenciar orçamentos com cartões: para cada projeto, equipe ou etapa de teste, pode-se emitir um cartão virtual separado, sem limites de quantidade. A reputação antifraude dos cartões permanece estável, o que é crítico ao trabalhar com dólares no Brasil.

Características técnicas da PSTNET:

  • bandeiras: Visa, Mastercard
  • moeda dos cartões: USD
  • BINs: mais de 25 opções com geografia dos EUA e da UE
  • 3D Secure: em todos os cartões
  • quantidade de cartões: ilimitada

O saldo é recarregado pelo painel do usuário: estão disponíveis criptomoedas em 18 opções, SWIFT, SEPA e recarga a partir de outros cartões. A velocidade de crédito é alta, e as comissões dependem do BIN e do status da conta. Participantes do PST Private recebem emissão gratuita de cartões e 3 por cento de cashback sobre gastos com anúncios, porém a participação é paga. Para novos usuários, há uma oferta separada, depósito em USDT sem comissão. O serviço não cobra comissões por transações, recusas, saques ou reembolsos.

O cadastro é rápido: login via Apple ID, Google, Telegram, WhatsApp ou e-mail, seguido de um KYC simples com passaporte. A comunicação ocorre por chat e mensageiros, cada usuário recebe um gerente pessoal. Para equipes, estão disponíveis funções, subcontas, recarga automática e distribuição de cartões entre projetos.

2. Spend.net

Em 2025, a Spend.net foi amplamente utilizada por anunciantes para os quais era importante combinar faturamento estável e retorno de parte dos gastos. O serviço emite cartões virtuais para publicidade e pagamentos online comuns, mas o foco principal é media buying. Uma grande base de BINs verificados permite pagar Google Ads, Facebook e TikTok, inclusive em contas sensíveis.

Para TikTok, Google e Facebook, a plataforma oferece cerca de vinte BINs estáveis, dos quais seis são exclusivos. Isso dá flexibilidade ao trabalhar com diferentes geografias e reduz o risco de recusas em massa. Os cartões podem ser emitidos sem limitações, distribuídos por campanhas, com visualização imediata da análise de gastos. A principal diferença do serviço Spend.net é o cashback integrado: 2 por cento para pagamentos de publicidade e 1 por cento para outras operações online.

Características técnicas da Spend.net:

  • bandeiras: Visa, Mastercard
  • moeda: USD
  • BINs: 20 estáveis, incluindo 6 exclusivos
  • quantidade de cartões: ilimitada
  • 3D Secure: disponível

O saldo é recarregado com criptomoeda, USDT nas redes TRC20 ou ERC20, ou BTC. O usuário escolhe a comissão de recarga, que pode ser mínima para grandes valores. O serviço não cobra comissões por transações, pagamentos recusados, operações cambiais, saques ou reembolsos, e a emissão de cartões é gratuita.

O cadastro e o KYC são rápidos, o suporte funciona 24 horas por dia diretamente no painel. Para equipes, estão disponíveis funções, limites e relatórios por participante, e o cashback é creditado em tempo real.

3. CardsPro (Capitalist)

CardsPro não é um serviço separado, mas um sistema de cartões virtuais dentro da plataforma de pagamentos Capitalist. Em 2025, foi amplamente utilizado por equipes para as quais a integração “carteira mais cartões” em um único ambiente era importante. Os cartões funcionam de forma estável com Google Ads e Facebook, e as moedas das operações, dólar e euro, são adequadas para faturamento internacional, incluindo campanhas brasileiras.

Há BINs dinâmicos Visa e Mastercard para EUA e Reino Unido, além de opções mais raras como Hong Kong. Ao mesmo tempo, o serviço exige disciplina: o primeiro faturamento não pode ser feito imediatamente a partir de zero, e a ultrapassagem de 15 por cento de decline rate pode levar a multas ou bloqueios.

Características técnicas do CardsPro:

  • bandeiras: Visa, Mastercard
  • moedas: USD, EUR
  • BINs: clássicos e dinâmicos, com diferentes geografias
  • 3D Secure: disponível

A recarga ocorre via USDT, BTC, ETH ou transferência bancária WIRE para pessoas jurídicas. Os fundos são creditados no saldo geral da Capitalist e distribuídos entre os cartões. O modelo de comissões é mais complexo do que em serviços especializados em media buying: há cobrança por emissão de cartões, recarga, transações e recusas, mas com operação estável isso é compensado por faturamento previsível.

O cadastro consiste na abertura de uma conta Capitalist e em uma entrevista com o gerente do CardsPro. Não há KYC clássico, a comunicação ocorre via Telegram, onde também são discutidas condições individuais e programas de fidelidade.

4. Lamanche Payments

A Lamanche Payments é um serviço de nicho que em 2025 foi utilizado exclusivamente para compra de tráfego. Ele emite apenas cartões virtuais e aposta na pureza dos BINs. Todos os sete BINs são britânicos, passam por controle manual do primeiro faturamento e não “queimam” devido a testes em massa.

No Google Ads, a Lamanche foi aplicada em dois cenários típicos: lançamento em massa de novas contas e trabalho com contas sensíveis, onde um histórico de pagamento ideal é fundamental. O próprio serviço monitora os primeiros faturamentos e bloqueia operações arriscadas, reduzindo o número de recusas e a perda de contas.

Características técnicas da Lamanche Payments:

  • bandeiras: Visa, Mastercard, UnionPay
  • moeda: USD
  • BINs: 7, todos britânicos
  • controle do primeiro faturamento: manual
  • 3D Secure: opcional, códigos via Telegram
  • recarga: JackWallet, SWIFT, SEPA

A recarga ocorre com mais frequência por meio do JackWallet integrado com criptomoeda. Transferências bancárias estão disponíveis sob solicitação e levam mais tempo. As comissões dependem do volume e diminuem com o aumento dos gastos. A emissão de cartões é gratuita, não há comissões por transações nem por recusas.

O cadastro inclui verificação obrigatória, após a qual todo o funcionalidade é liberada. A comunicação ocorre via chat no Telegram, e dentro do painel há ferramentas avançadas para equipes e integrações com serviços de media buying.

5. EPN

Em 2025, a EPN foi utilizada como uma ferramenta flexível para pagamentos em dólar com acesso a BINs dos EUA e do Brasil. Os cartões são gerenciados via interface web e aplicativo móvel, e o conjunto de BINs disponíveis depende do nível da conta e do volume. No nível básico, estão disponíveis BINs publicitários e universais com geografia dos EUA e do Brasil, o que torna o serviço aplicável a campanhas locais brasileiras.

No media buying, a EPN cobre a оплатa de Google Ads, Facebook e TikTok, e a presença de 3D Secure reduz o número de recusas. Se o usuário não tiver certeza na escolha do BIN, o gerente pode selecionar um cartão adequado para a fonte de tráfego específica.

Características técnicas da EPN:

  • bandeiras: Mastercard e parcialmente Visa
  • moeda: USD
  • BINs: EUA, Brasil, Reino Unido, Chile, UE
  • quantidade de BINs: de 7 a mais de 20, dependendo do nível
  • 3D Secure: disponível

O saldo é recarregado mais rapidamente com criptomoeda, enquanto transferências fiduciárias estão disponíveis via gerente para grandes valores. O modelo de comissões varia conforme o método de recarga e o volume, e a emissão e manutenção dos cartões são cobradas mensalmente.

O cadastro inclui KYC com comprovação de endereço. O suporte está disponível via aplicativo, tickets e Telegram, onde normalmente respondem mais rápido e ajudam na seleção de BINs e nas condições da conta.

Como o modelo de funding influencia o comportamento da Meta, Google e TikTok

As plataformas de publicidade reagem não ao simples fato do pagamento, mas à sua dinâmica.

Wallet → card como isolated risk instrument

A combinação de carteira mais cartão cria um limite rígido de gastos. O saldo é um limite físico que não pode ser ultrapassado em nenhuma circunstância. Isso é importante para a estrutura temporal do risco.

Para cartões de crédito no BR é característico um chargeback tail na faixa de 30 a 90 dias. Mesmo que o nível real de disputas seja baixo, a plataforma é obrigada a considerar esse tail e manter reservas para transações passadas.

No modelo pre funded, o tail temporal não existe. A perda potencial é conhecida no momento do débito e não se altera. Para loss modeling, isso significa a transição de uma variável aleatória diferida para um valor fixo. Isso reduz as exigências de provisionamento e simplifica o escalonamento do spend.

Risco comportamental vs risco financeiro

No Brasil, os sistemas de Ads são mais sensíveis a métricas comportamentais do que a valores absolutos. 

Os principais parâmetros aqui são:

  • decline rate em uma janela móvel de 24 horas
  • decline clustering em uma janela de 10 a 60 minutos
  • retry density por método de pagamento

Com base em observações práticas:

  • um decline rate estável de até 1 a 1,5 por cento normalmente não gera reação
  • 2 a 3 por cento são aceitáveis quando distribuídos de forma uniforme
  • clusters de 3 a 5 recusas em uma janela curta frequentemente acionam throttling

Cartões pre funded reduzem a probabilidade justamente de recusas em cluster. Ao escalar campanhas, isso resulta em uma trajetória de crescimento mais suave, o que impacta positivamente o trust.

BIN, geografia e a economia oculta da confiança nos leilões BR

O BIN participa da avaliação da conta de forma mais profunda do que se costuma supor.

Comportamento geo BIN: tráfego BR ≠ BIN BR

Quando a geografia do tráfego e a geografia do BIN não coincidem, a plataforma de Ads ajusta os parâmetros iniciais da conta. Isso se manifesta em:

  • redução do spend cap inicial
  • ativação mais precoce de revisões manuais
  • participação mais cautelosa no leilão

Ao mesmo tempo, um BIN BR local nem sempre é o ideal. Alguns intervalos de BIN no Brasil estão historicamente associados a níveis mais altos de consumer fraud. Nesses casos, um BIN LATAM neutro, com histórico limpo, pode gerar um perfil de leilão mais estável.

Não se trata de proibição, mas de pesos de confiança. O BIN influencia a posição inicial da conta dentro do sistema.

Níveis de KYC, limites e o que os anunciantes normalmente não verificam

O KYC influencia não apenas o status jurídico, mas também a dinâmica de pagamentos.

KYC tier como parte do risk signaling

Contas com low KYC quase sempre possuem velocity limits rígidos. Faixas típicas:

  • limite diário de 2 a 5 mil dólares
  • limite mensal de 20 a 50 mil
  • restrição de crescimento do spend não superior a 20 a 30 por cento ao dia

Enquanto o orçamento é pequeno, isso passa despercebido. No primeiro movimento de escalonamento, as restrições aparecem de forma abrupta. A plataforma de Ads interpreta um crescimento rápido de spend em um instrumento com low KYC como risco, mesmo que os pagamentos sejam aprovados.

Um KYC elevado não garante ausência de problemas, mas oferece intervalos comportamentais permitidos mais amplos.

Restrições de MCC e ad specific routing

Os MCC 7311 e 7399 são processados de maneira diferente do e commerce padrão. Alguns serviços limitam essas categorias devido ao maior risco de disputas. Outros configuram um routing separado, otimizado especificamente para Ads.

Quando o MCC entra em conflito com a lógica do BIN, surgem cenários instáveis. O pagamento pode passar pela autorização, mas depois ser revertido no lado da plataforma. Isso não é um erro técnico, e sim um desalinhamento de perfis de risco.

3DS, soft declines e por que a ausência de 3DS nem sempre é uma vantagem

A ausência de 3DS costuma ser percebida como um ponto positivo, mas em publicidade isso nem sempre se confirma.

3DS exemption em publicidade: benefício ou risco

Para a região BR, a presença de um challenge flow esperado faz parte do modelo de confiança. Quando um cartão não suporta 3DS onde o sistema o espera, isso pode levar a um aumento de soft decline.

Com base em observações:

  • parte dos BIN BR sem 3DS apresenta decline rate maior em 0,5 a 1 por cento
  • especialmente durante o crescimento do spend

O 3DS confirma o controle do instrumento no momento da transação. Em alguns cenários, o atrito adicional reduz o risco comportamental e melhora a estabilidade dos pagamentos.

Como escolher um serviço de pagamento para publicidade no Brasil: lógica de engenheiro, não de marketeiro

A escolha de um serviço de pagamento é uma tarefa de gestão de risco, não de conveniência de interface.

O que realmente importa verificar

Em primeiro lugar, o modelo de funding. Em seguida, a estratégia de BIN e a geografia. É crítico entender se cartões e contas são isolados no nível de ledger. Não menos importante é como o serviço gerencia limites e decline rate.

Por que as melhores soluções não são PSP, mas risk middleware

Serviços eficazes operam como uma camada entre o anunciante e o antifraude das plataformas de Ads. Eles limitam o blast radius. O problema de uma conta não se propaga para as demais. O objetivo não é apenas processar o pagamento, mas manter um perfil de risco estável.

Quando essa lógica não funciona

É importante definir os limites de aplicabilidade. O modelo pre funded não é uma solução universal. Ele não ajuda em casos de:

  • poor BIN hygiene
  • padrões agressivos de retry
  • violação de políticas de publicidade

Se a conta gera risco de forma sistemática, o tipo de cartão não irá salvá la. O funding model reduz ruído, mas não compensa comportamento inadequado.

Conclusão: no Brasil, o pagamento é parte da infraestrutura de publicidade

No Brasil, a escolha do serviço de pagamento é, na prática, a escolha de um modelo de risco. Compreender a arquitetura de funding, a lógica de BIN e as métricas comportamentais oferece uma vantagem prática. O cartão virtual atua aqui não como conveniência, mas como um instrumento de gestão de confiança dentro das plataformas de publicidade.